SÃO PAULO - Mesmo após duas intervenções do Banco Central no mercado de câmbio para segurar a escalada do dólar, a divisa encerrou a sessão desta terça-feira em alta. No fechamento, a moeda americana encerrou cotada a R$ 2,176 na compra e R$ 2,178 na venda, uma alta de 0,55%. O BC fez dois leilões de swap cambial tradicional, que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro, depois que a cotação atingiu a máxima do dia: R$ 2,187. Foi uma alta de 0,84% e o maior patamar do dólar desde o dia 30 de abril de 2009, quando a divisa fechou em R$ 2,188. Mas os leilões do BC não tiveram força para reverter a tendência de valorização da divisa frente ao real. O contrato de dólar futuro avançou 0,45% para R$ 2,186.
Nos dois leilões desta terça, o BC vendeu US$ 4,5 bilhões em contratos de swap cambial. Na primeira operação, realizada entre 9h50m e 10h, foram vendidos todos os 60 mil contratos ofertados, o equivalente a US$ 2,9 bilhões. Na segunda intervenção, que ocorreu entre 10h10m e 10h20m, o BC ofereceu 40 mil contratos e vendeu 30 mil, que correspondem a US$ 1,5 bilhão. Ontem, o Banco Central também atuou e vendeu US$ 1,9 bilhão. O leilão de segunda aconteceu vinte minutos antes do fim do pregão. Com a intervenção, o dólar caiu de R$ 2,17 para R$ 2,166, mesmo assim a maior cotação desde 30 de abril de 2009. Desde o dia 31 de maio, foi a nona intervenção do BC no mercado de câmbio para reverter a alta da divisa. Nesses leilões, o BC vendeu US$ 15,3 bilhões no mercado futuro, mas a tendência da moeda continua de alta frente ao real.O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, se desvalorizou pela manhã, mas inverteu a tendência no início da tarde e se fixou no campo positivo. O índice fechou em alta de 0,77% aos 49.464 pontos e volume negociado de R$ 6,7 bilhões. A alta das ações da Vale e a recuperação das empresas do Grupo EBX ajudaram a manter o índice em alta.
- O BC vendeu uma quantia expressiva de contratos, mas a procura por hedge (proteção contra a variação cambial) continua alta. Assim, esses leilões derrubam um pouco a cotação da moeda, mas apenas temporariamente. Declarações de membros do governo de que a divisa ficaria entre R$ 2,10 e R$ 2,15, mesmo depois do fim do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1% no mercado futuro, fizeram a procura por hedge aumentar, o que vem pressionando o dólar - diz Sidnei Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO.
Os investidores estão na expectativa da reunião do Federal Reserve (Fed) que, nesta quarta-feira, pode sinalizar uma mudança na política de estímulo à economia americana. Esta é considerada a mais importante reunião do Fed neste ano. Na prática, o mercado teme que o Fed diminua a compra de títulos que, todo mês, despeja US$ 85 bilhões na economia americana. É a possibilidade de redução dessa injeção de dólares na economia que faz a moeda americana se valorizar globalmente. Além disso, com a recuperação da economia dos EUA, o mercado já antecipa uma alta de juro no país. Os juros dos títulos de dez anos, por exemplo, já estão subindo há várias semanas, atraindo recursos de investidores.
No Brasil, o que se vê é um movimento de saída de moeda americana da Bolsa, especialmente da Bolsa. Uma parte desse dinheiro está sendo alocada nos títulos americanos, segundo especialistas.
- Com a melhora da economia americana, a lógica é que o programa de estímulo seja reduzido e os juros subam um pouco. Por isso, os investidores estão tirando recursos de países emergentes como o Brasil - diz Maurício Nakahodo, consultor de pesquisas econômicas do Banco Tokyo-Mitsubishi, em São Paulo.
Novos dados da economia americana foram divulgados nesta terça: os dados do início de novas construções de residências em maio nos EUA vieram ligeiramente abaixo do esperado, com crescimento de 6,8% e 914 mil unidades anualizadas. O mercado esperava 950 mil. Já os alvarás para novas construções subiram 1,3%, para 622 mil ao ano, o maior ritmo desde maio de 2008. Em outro relatório, o custo de vida dos americanos subiu menos que o esperado, 0,1% em maio, para uma projeção de alta de 0,2%. A inflação sob controle reduz o receio de uma alta dos juros americanos no curto prazo.
Para Sidnei Nehme, da NGO, o temor dos investidores é que o Brasil não consiga captar volume de recursos externos suficientes para financiar o déficit em transações correntes, o que obrigaria o governo a utilizar parte das reservas cambiais num ambiente em que o fluxo de dólares para o país deve ser mais fraco, por causa das fragilidades da economia, como baixo crescimento, inflação e juros em alta.
- Este cenário sustenta a projeção de alta do preço da moeda americana - diz Nehme.
Nehme acredita, a partir desta quarta-feira, será possível formar um melhor cenário quanto ao comportamento do preço do dólar no curto prazo no Brasil.
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse nesta terça-feira, durante audiência no Senado, que o BC sempre atuará no mercado de câmbio quando considerar que há grande volatilidade, com o objetivo de corrigir "disfunções". Tombini lembrou que o país tem US$ 375 bilhões em reservas internacionais.
Bovespa tem um dia de recuperação
A Bovespa teve um dia de recuperação técnica, após uma série de baixas, levando o índice ao patamar dos 49 mil pontos, o menor patamar desde agosto de 2011. De acordo com analistas, a alta das ações da Vale e da OGX Petróleo influenciaram a alta do índice no cenário interno. No exterior, a valorização das Bolsas americanas também se refletiu no pregão brasileiro. O mercado reagiu positivamente ao marcado regulatório para a mineração, que ainda deverá ser aprovado pelo Congresso. O documento não trouxe surpresas. A taxa de royalties subiu de 2% para 4% como era esperado. As ações PNA da Vale subiram 2,42% a R$ 29,09.
E as ações da OGX Petróleo se recuperaram das perdas recentes e ganharam 12,19%, a maior alta do Ibovespa, influenciando positivamente outros papéis do Grupo EBX. As ações ON da MMX Mineração avançaram 8,80% a R$ 1,36 enquanto os papéis ON da LLX Logística ganharam 6,42% a R$ 1,16. A CCX informou que adiou para dia 31 de julho o fechamento de seu capital. Os papéis da empresa caíram 23,78% a R$ 1,42.
Entre as demais blue chips da Bolsa, Petrobras PN teve queda de 1,32% a R$ 17,86; Itaú Unibanco PN perdeu 0,47% a R$ 29,40 e Bradesco PN caiu 0,73% a R$ 29,60.
As ações ON da ALL tiveram a maior desvalorização: queda de 5,10% a R$ 9,49, com a possibilidade de a empresa ampliar seu capital.
No mercado de juros, as taxas apresentaram alta no fechamento, influenciadas pela alta do dólar. Mesmo com uma recompra de títulos feita pelo Tesouro, as taxas não recuaram. Na BM&F, o DI de janeiro de 2014 tinha taxa de 8,97% frente a 8,88% de ontem. Já o DI com vencimento em janeiro de 2015 tinha taxa de 10,19% frente aos 9,82% de ontem. E o contrato com vencimento em janeiro de 2017 teve taxa de 11,05% frente aos 10,69% de ontem.
Em relatório, os economistas Constantin Jancso e Andre Loes, do banco HSBC dizem que as recentes manifestações ocorridas no Brasil são mais uma fonte de incertezas para os investidores. Em relatório, os economistas afirmam que, na semana passada, os protestos pareciam não ser uma questão importante para o mercado. Mas as manifestações podem começar a pesar sobre os preços de alguns ativos daqui para frente, uma vez que podem ser vistas como outra fonte de incertezas sobre as perspectivas no curto e médio prazos para a economia.
"Até o momento, não há sensação de desordem nas cidades brasileiras (embora os protestos causem perturbações ao tráfego já pesado da hora do rush nas grandes cidades), mas as imagens dos protestos (e, particularmente, dos episódios mais violentos) podem pesar no sentimento do investidor, especialmente entre os investidores estrangeiros", avaliam os economistas, em relatório.
Fonte:http://oglobo.globo.com/economia/mesmo-com-acao-do-banco-central-dolar-sobe-fecha-r-217-bolsa-tem-alta-puxada-por-vale-ogx-8727118
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